domingo, 1 de abril de 2012
Capítulo #5a (bônus) 18+
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Seu coração era grande demais, era o que diziam. Se apaixonava fácil e se entregava completamente a quem correspondia. Vivia cada momento como se fosse o último e era feliz pelo tempo que permitiam. Mas as pessoas têm o dom de estragarem o que é bom. E cada nova decepção levava consigo um pedaço do seu coração. Sentia um vazio se instalando silenciosamente em seu peito, mas não tinha idéia ao que estava sujeito. Seu primeiro contato com sua maldição foi em uma noite de verão. Tentando se reconciliar, levou à sua amada rosas sob a luz do luar. Mas quando o seu amor ela negou, seu presente em sua mão definhou. A partir desse dia, tudo que ele tocava morria. No começo eram apenas coisas pequenas. Flores, algumas frutas, e até mesmo o seu peixinho, que antes cuidava com tanto carinho. Tomando a devida precaução continuava sua vida sem muita preocupação. Mas infelizmente as decepções não paravam, e seu vazio apenas aumentava. Seu problema cresceu até que um dia por suas mãos seu cachorro morreu. Decidiu se isolar, e a todos começou a afastar. Mas como de nada nessa vida podemos escapar, o amor novamente conseguiu o encontrar. Se convenceu de que com ela diferente seria, e que a felicidade finalmente encontraria. Viveram momentos maravilhosos juntos, tudo era perfeito enquanto estavam em conjunto. Um dia, na intenção de lhe fazer uma surpresa, preparou um jantar e ficou esperando na mesa. Ela, que por nada esperava, chegou em casa com outro que a carregava. Ele, diante de tanto enjeito, sentiu uma dor dilacerante atravessando o seu peito. Levantou-se, e sem mesmo bradar, o outro se pôs a expulsar. Agora sozinhos, virou para a moça, e nela bateu com força. Ao lhe encostar pra tentar explicar seu corpo começou a murchar. Não parou de emagrecer até seu osso aparecer. E quando nele ela tentou segurar sua pele começou a desabar. Enquanto ela agonizava de dor ele observava com terror e o que antes era a sua amada agora não passava de uma ossada. Destruído pelo que havia feito novamente se isolou, agora em seu leito. Ali permaneceu, sem nenhum tipo de alimento, apenas na espera de seu último lamento. Passou seus últimos dias se culpando por aquele dom que o estava assombrando. Fechou os olhos e se deixou levar pra onde a paz pudesse enfim encontrar.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Capítulo #7
Saiu do banheiro com a toalha de rosto em volta do pescoço. Vestia apenas sua calça jeans esfolada. Se jogou de qualquer jeito na cama recostando na cabeceira. Pegou o controle remoto e ligou a tv, mas não pretendia assistir nada, sua única intenção era espantar aquele silêncio que dominava o ambiente. Deixou que sua mente vagasse sem direção. Repassou tudo que havia lhe acontecido naquela noite, tentou forçar-se a lembrar de antes, antes de acordar naquele carro. Nada. Ou talvez alguma coisa. Se lembrou mais uma vez do sonho que tivera. Seria aquilo uma memória? Continuou relembrando na esperança de conseguir algum detalhe a mais. Sua mente começou a tomar outros caminhos sem sua permissão, até que seus pensamentos encontraram sua companheira da noite anterior. Suzi. Ele nunca esqueceria aquele nome. Era fácil se lembrar dessas coisas quando nenhuma outra memória habitava sua mente. No momento em que começou a se perguntar aonde ela estaria ouviu a porta sendo aberta. Duas sacolas de compras encontraram seu caminho por entre o vão da porta, seguidas por um longo cabelo negro que descançava em cima de uma camiseta branca apertada. Quando aquela figura, que havia entrado de costas, se virou John viu que sua outra mão carregava uma embalagem octagonal. Mesmo sem se lembrar de já ter provado uma, reconheceu a embalagem de pizza e sabia que era bom.
- Imaginei que você fosse estar com fome quando acordasse e saí pra comprar umas coisinhas pra nós. - Disse fechando a porta atrás de si com o pé e colocando suas compras em cima da mesa.
- Nisso você acertou, estou morrendo de fome. - Sentou na beirada da cama, em direção à mesa. - Por que não me acordou?
- Você parecia cansado, e estava dormindo tão bonitinho que não quis te acordar. E além disso, não precisa de nós dois pra comprar o almoço. Eu sei me virar sozinha. - Junto da última frase veio um sorrizo e uma piscada que fez com que por um breve minuto ele se esquecesse de sua busca e desejasse que aquele momento se estendesse pela eternidade.
- Almoço? Que horas são? - Disse espantado. Olhou no relógio, eram 14:07. Depois de pensar um pouco percebeu que havia se assustado sem motivo, afinal, eles tinham ficado acordado até tarde. - E o que você tem de bom aí?
Ela deu uma breve risada, manteve o sorriso no rosto e a cada coisa que retirava da sacola ia nomeando. - Refrigerante, cerveja pra mais tarde, alguns doces de sobremesa e é claro, a pizza. Eu não sabia qual você gostava, então trouxe de calabresa. Todo mundo gosta de calabresa.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Capítulo #6
John corria.
Era noite, mas ele não conseguia ver a lua. Tudo que via quando olhava para cima eram folhas e mais folhas em um emaranhado de galhos erguendo-se sobre sólidos troncos que passavam apressados por ele. Olhou para trás. Uma dúzia de luzes dançavam a poucos metros de distância. Lanternas. Sentiu algo bater em seu pé e logo em seguida uma pancada no rosto. Gosto de terra com grama molhada. Havia tropeçado e caído. Levantou-se avidamente e se pôs a correr novamente. Seu coração batia disparado em seu peito. Ofegava e as luzes continuavam a segui-lo com afinco. Olhava para trás e para a frente até que parou bruscamente. À sua frente, bem abaixo de seus pés, um abismo. Um rio corria a cerca de vinte metros abaixo. Atrás, as luzes se aproximavam cada vez mais. Não podia ser pego. Não podia terminar assim. Respirou fundo. Fechou os olhos. Deu um passo atrás, e soltando o peso de seu corpo se jogou.
John levanta-se assustado. Ofegante e suando. Olha à sua volta e depois de um longo tempo identifica o quarto de motel. Passa a mão do outro lado da cama e sente apenas o lençol. Ela não estava lá. Só então conseguindo respirar direito, começa a se acalmar. Levanta-se devagar e se dirige ao banheiro. Molhando o rosto olha no espelho e repassa mentalmente o sonho que teve.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Capítulo #5
A conversa se desenrolou com naturalidade. Apesar de não se lembrar de nada sobre sua vida pessoal, parecia conhecer muito sobre tudo. Logicamente, ele não revelara que havia sofrido um acidente de carro. - Teria sido mesmo aquilo um acidente? - Ou que perdera a memória. E quando indagado sobre seu nome, foi obrigado a mentir por não saber responder:
- Johnnie. - Disse ele, após observar uma das garrafas atrás do balcão. Disse a primeira coisa que leu.
- O meu é Suzi, de Suzana, mas prefiro que me chame de Suzi mesmo. Pra onde pretende ir depois daqui?
- Prefiro não fazer muitos planos, mas provavelmente irei para o sul, em direção àquela cidade descendo a estrada. Sinto que esse é o meu caminho.
- Que coincidência, estou indo nessa mesma direção. Mas me diga, como pretende continuar sua viajem sem carro?
Meia hora depois estavam ambos saindo do bar, bastante alcoolizados. Entraram naquele carro cinza importado, um Toyota, e partiram deixando a música e os gritos para trás. Pararam em um motel de beira de estrada para passar a noite. Pegaram a suite 306. Ela entrou, jogou suas coisas em cima da cama de casal, enquanto ele espiava o banheiro.
- Olha só, eles têm uma banheira. Vou tomar um banho pra me refrescar. - E, já dentro do banheiro: - E curar um pouco essa bebedeira. - Fechou a porta, esperou a banheira estar cheia pela metade e entrou nela. Enquanto isso uma música lenta começou a tocar no quarto. Ele fechou os olhos e relaxou. Quando os abriu novamente, não muito tempo depois, Suzi estava em pé ao seu lado olhando pra ele. Assustou e tentou cobrir seus órgãos baixos. - O que você está fazendo aqui dentro?
- Vim me juntar a você. - Disse ela, com um sorriso malicioso no rosto. Com um único movimento atrás das costas seu vestido escorreu por seu corpo revelando aquela forma perfeitamente esculpida. Como ela era linda. Seus seios perfeitamente redondos e firmes, uma barriga bem definida e uma cintura invejável. Desceu lentamente sua calcinha jogando-a para longe com o pé. Entrou suavemente na banheira e sentou-se de frente a Johnnie. A água batia na metade de seu busto e ondulava junto deste. Ele relaxou, e quando ela se inclinou para frente eles se beijaram.
domingo, 12 de setembro de 2010
Capítulo #4
- Um Martini, seco! - Enquanto sua bebida era servida, uma voz que vinha do banco ao lado chamou sua atenção. Uma mulher, por volta dos seus 26 anos, dentro de um vestido vermelho justo que valorizava perfeitamente suas curvas e com um farto decote se destacava naquele ambiente tão vil. Seus longos cabelos morenos escorriam por seus ombros e ondulavam a cada movimento de sua cabeça. Aquela figura a seu lado era quase hipnótica. Deu um gole em sua cerveja sem olhar para a caneca enquanto observava o balconista colocar uma taça no balcão e lentamente preparar a bebida da moça. Ela deu um gole e, passando o dedo pela borda, olhou para o lado mostrando um singelo sorriso. Colocou a bolsa sobre o balcão, retirou uma caixa de metal e a abriu com todo o cuidado como se manuseasse uma caixa de jóias. De dentro retirou um único cigarro e o levou à boca. Guardou a caixa enquanto procurava algo na bolsa. Não encontrando, olhou para o lado oposto e, como que por reflexo, ele retirou um isqueiro do bolso. Quando ela tornou a olhá-lo uma chama a esperava. - De onde surgira aquele isqueiro? Já estava em seu bolso antes do acidente, obviamente, mas como não o notara antes? - Ela então acendeu seu cigarro dando após uma longa tragada e soltando a fumaça com todo o prazer que aquele ato lhe proporcionava.
- Está esperando alguém? - Perguntou ela.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Renato
Não sabia o que sentia, apenas sentia, e aquilo o estava matando. Era um tipo de depressão em contraste com uma certa raiva e uma pitada de desespero. Não conseguia se concentrar em nada, não queria ver ninguém, a única coisa que passava em sua mente era o desejo incontrolável de sair dali, daquela vida, daquela cidade. Levantou-se de repente, passou a mão nas chaves e saiu com seu carro. Dirigia rápido, sem pensar aonde ia, apenas ia. E enquanto a cidade ia passando rápido pela janela sua vida passava por sua mente na mesma velocidade. E a cada memória tentava descobrir o que havia saído errado, porque sua vida estava daquele jeito e o que significava aquele sentimento dentro de seu peito. Qual escolha teria ele feito de errado? Em que ponto sua vida saiu dos trilhos e se transformou nessa confusão sem saída? E quanto mais se esforçava mais a resposta parecia escorrer por entre as frestas de sua mente na mesma rapidez em que a estrada escorria por debaixo de seus pés.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Capítulo #3
Quanto mais se aproximava da cidade mais sentia que aquele era o caminho certo. Mas ao mesmo tempo também crescia uma sensação de que buscar o seu passado não era a coisa certa a se fazer. Parou em um bar de beira de estrada, a poucos quilômetros daquele mar de casas e prédios. Não estava pronto para procurar o que perdera. Ainda não.
A chuva persistia, só que agora ela mais irritava do que molhava. Entrou naquele lugar escuro, cheio de gente dando gargalhadas e falando alto. Olhava rapidamente para um lado e para o outro enquanto seguia diretamente para o banheiro. Parou em frente ao espelho e ficou por um momento encarando aquele rosto tão familiar e ao mesmo tempo tão estranho à sua frente. O ferimento já havia coagulado mas seu rosto ainda estava vermelho de sangue. Se limpou, ajeitou o cabelo e tornou a se olhar naquele pedaço de vidro. Quanto mais tentava se lembrar mais aquela face lhe parecia estranha. Voltou ao bar e sentou-se no balcão enquanto observava aquelas pessoas ao seu redor. Um sujeito alto, um pouco acima do peso, de barba por fazer se pôs a sua frente do outro lado do balcão. Ele limpava uma caneca de vidro com um pano e lhe perguntou:
- O de sempre? - A pergunta o surpreendeu. Como assim, "o de sempre"? Por um acaso ele frequentava aquele lugar? Seria essa sua primeira pista? Decidiu então perguntar.
- Desculpa não me lembrar, mas a gente se conhece?
- Você costuma vir aqui de vez em quando, nada muito frequente, mas é que tenho a memória boa. - Uma pausa. - Você parece meio perturbado, aconteceu alguma coisa?
- Eu acho que bati a cabeça. - Disse olhando para baixo e colocando a mão na testa. - Você sabe o meu nome?
Uma risada seca. - Parece que a pancada foi forte, ein? Não, eu não sei o seu nome. Você não costuma conversar muito, apenas se senta aqui e pede uma cerveja. Falando nisso, vai querer que eu te trago uma?
Colocou a mão no bolso, viu que tinha alguns trocados e decidiu aceitar. Quando o balconista saiu foi sua vez de dar uma risada da sua situação. "Dinheiro. Ao menos isso eu ainda sei pra que serve."
terça-feira, 25 de maio de 2010
Capítulo #2
domingo, 25 de abril de 2010
sábado, 3 de abril de 2010
Renato
Tudo que queria era a escuridão. Para ele a noite era seu único conforto. Enquanto houvesse sol estaria trancado em seu quarto a dormir. Quando saía se acabava em bebidas, cigarro e festas. Parecia tentar se destruir. Talvez pensasse que assim conseguiria arrancar aquela dor que sentia dentro de si. Talvez tentasse trazê-la à forma física, já que dor que nem aquela não se consegue tratar com remédios. Mas no fim da noite tudo o que conseguia era uma mortal ressaca e o arrependimento de não ter tentado melhor. Nada de destruição ou de cura. Apenas o pensamento de que precisava de alguma coisa, algo além do que já tinha, mas não sabia o que buscava. E nessa busca vã acabava se perdendo na madrugada sem fim, e se afundando cada vez mais em sua própria amargura.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Capítulo #1
A chuva que batia em seu rosto puxava-o lentamente da terra dos sonhos. À medida que suas pesadas pálpebras se abriam, um mundo embaçado se revelava. Enquanto ia recobrando os sentidos, sua percepção retornava, e agora sentia um filete quente escorrendo em seu rosto em contraste com a gélida água que caía. Colocou a mão em sua face em uma tentativa débil de compreender o que se passava. Surpreendeu-se ao deparar com um líquido rubro cobrindo sua mão. Abaixou-a e viu que estava debruçado sobre um volante. Olhou para cima e percebeu que a chuva que o atingia vinha do buraco que uma vez abrigara o pára-brisas. Uma luz piscava no painel e iluminava seu rosto, visível pelo retrovisor que agora se encontrava no banco do passageiro. Olhou para fora e tudo que via eram árvores. Tentou se lembrar de como chegara àquele lugar, do porquê de estar ali, e mais importante, tentou se lembrar do momento do acidente. Nada. Quanto mais tentava se lembrar mais as respostas pareciam se distanciar. Não se lembrava de nada de antes do acidente, nem mesmo seu nome.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Apenas uma tarde de verão
Se encontrava sozinho naquele café sentado em uma mesa de canto isolado do resto do mundo na ala dos fumantes bebendo calmamente seu cappuchino fumando seu cigarro roubado de alguma alma deveras alcoolizada para reclamá-lo de volta ao som de Canastra que cantava em seu refrão "É o destino, e o meu é estar contigo. Meu grande amigo, meu cappuchino." enquanto uma caneta emprestada por uma das atendentes do estabelecimento ia vagarosamente desenhando estas palavras em um guardanapo ao ritmo da pulsação provocada pela dor latejante com sabor de vitória emanando de seu recém colocado piercing.
