The only way up is down.
The only way in is out.
The only way ahead is back.
So let's give our hands and count.
Forward slash backward.
From 1 two 3.
321.
A procura de um por seu eu
Caminhava no escuro, vagando sem rumo. Seguia sempre em frente por não ter para onde voltar. Seu caminho era toruoso, sem ao menos um encosto aonde pudesse descansar. Sua vontade era de simplesmente parar, desistir de tudo e ali seu corpo abandonar. Mas prosseguia incessantemente, não por ver esperança a frente, mas por não enxergar nenhuma trilha a seguir. Ele pára. Um abismo à sua frente. Seu corpo balançando e ameaçando cair para frente. E em sua mente apenas a vontade de se deixar levar, de cair, se jogar. Acabar com aquela agonia de não saber.
Seu coração era grande demais, era o que diziam. Se apaixonava fácil e se entregava completamente a quem correspondia. Vivia cada momento como se fosse o último e era feliz pelo tempo que permitiam. Mas as pessoas têm o dom de estragarem o que é bom. E cada nova decepção levava consigo um pedaço do seu coração. Sentia um vazio se instalando silenciosamente em seu peito, mas não tinha idéia ao que estava sujeito. Seu primeiro contato com sua maldição foi em uma noite de verão. Tentando se reconciliar, levou à sua amada rosas sob a luz do luar. Mas quando o seu amor ela negou, seu presente em sua mão definhou. A partir desse dia, tudo que ele tocava morria. No começo eram apenas coisas pequenas. Flores, algumas frutas, e até mesmo o seu peixinho, que antes cuidava com tanto carinho. Tomando a devida precaução continuava sua vida sem muita preocupação. Mas infelizmente as decepções não paravam, e seu vazio apenas aumentava. Seu problema cresceu até que um dia por suas mãos seu cachorro morreu. Decidiu se isolar, e a todos começou a afastar. Mas como de nada nessa vida podemos escapar, o amor novamente conseguiu o encontrar. Se convenceu de que com ela diferente seria, e que a felicidade finalmente encontraria. Viveram momentos maravilhosos juntos, tudo era perfeito enquanto estavam em conjunto. Um dia, na intenção de lhe fazer uma surpresa, preparou um jantar e ficou esperando na mesa. Ela, que por nada esperava, chegou em casa com outro que a carregava. Ele, diante de tanto enjeito, sentiu uma dor dilacerante atravessando o seu peito. Levantou-se, e sem mesmo bradar, o outro se pôs a expulsar. Agora sozinhos, virou para a moça, e nela bateu com força. Ao lhe encostar pra tentar explicar seu corpo começou a murchar. Não parou de emagrecer até seu osso aparecer. E quando nele ela tentou segurar sua pele começou a desabar. Enquanto ela agonizava de dor ele observava com terror e o que antes era a sua amada agora não passava de uma ossada. Destruído pelo que havia feito novamente se isolou, agora em seu leito. Ali permaneceu, sem nenhum tipo de alimento, apenas na espera de seu último lamento. Passou seus últimos dias se culpando por aquele dom que o estava assombrando. Fechou os olhos e se deixou levar pra onde a paz pudesse enfim encontrar.
Deitado com você, olhando as estrelas, longe de tudo e de todos, me esqueço do resto do mundo. Para mim tudo se resume a esse momento. Nada mais importa.
Com você, viajaria o mundo. Apenas nós dois e a paisagem passando apressada do nosso lado. Pararíamos em algum lugar qualquer, nos deitaríamos debaixo de uma árvore enquanto o vento sopra as folhas sobre nós.
Se lembra de quando saíamos com o pessoal e depois de várias doses nos púnhamos a andar sem rumo pela cidade? Eu falando sem parar, rindo de minhas próprias piadas sem graça, lutando para me equilibrar e você tendo que me aguentar. E depois de horas passadas a sós voltávamos para casa como se não o tivéssemos feito. E de certa forma não o havíamos. Pois nossos momentos juntos são apenas nossos. Nessas horas o resto do mundo se torna o que ele relamente é: resto.
Fito aquelas imagens
Olho mas não vejo
Luto contra
Aquiesço
Logo meu corpo já não me pertence
Passo a ser um estranho a mim mesmo
E aquelas imagens,
antes tão nítidas,
aos poucos desaparecem
As vozes,
antes tão altas e irritantes,
vão sumindo
E junto delas vou-me esvanecendo
Se antes existia o mundo
agora existo eu
Pensamentos
Minha existência resume-se a eles
Vou a todos os lugares no mesmo instante
e retorno
Uma voz
Resquício do que deixei para trás
E à medida que aquela voz se aproxima
esse mundo de desfaz
Tudo aquilo que antes desaparecera
agora surge em um clarão
Estou de volta
Contra minha vontade
De volta a este mundo ao qual não pertenço
Vivendo uma vida que não é minha
Olhando para cima
Imerso em pensamentos
Flutuando sobre a água
À deriva das ondas
Me deixo levar
Nessa rotina infindável
Apenas seguindo a maré
Me esqueço quem era eu
Já não quero mais boiar
Quero ter o controle
Dar rumo à minha vida
O que quero é surfar
Me ponho em movimento
Nado alguns metros e paro
Não vejo nada além de água
Então volto a pensar
Olhando para cima
Flutuando sobre a água
Já não quero mais boiar
O que quero é surfar
Controle